Sou assim, não sou mais nada:
Um misto de sol e lua,
Empedrado de calçada,
Sinistra sombra de rua.
Sou, quiçá, um dos barqueiros
Das barcas de Gil Vicente
Que conduz os derradeiros
Destinos, de tanta gente!?
Não vou onde quero ir
Vou só por onde não quero
Se me apetece sorrir
Choro sem ter desespero.
Gargalho a minha tristeza
Dou luto à minha alegria
E nunca tenho a certeza
Quando é noite ou quando é dia.
Sou esta contradição:
Feliz em sonhos aflitos...
No meio da multidão
É que oiço o silêncio aos gritos.
Sou citadino e campónio,
Nenhum dos dois mora em mim.
Serei um anjo ou demónio?
Descubram isso por mim!!!
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